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03/02/2011
Sob pressão, governo e centrais reveem posições sobre salário e IR

Reunidos ontem no Palácio do Planalto, em Brasília, governo e sindicalistas recuaram em suas posições na busca de um acordo em torno do novo salário mínimo. Depois de negar que houvesse estudos no Planalto para corrigir a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, acenou com um reajuste.

Segundo o deputado federal e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), "só depende de discutir qual o valor". As centrais querem que as faixas de recolhimento do IR sejam elevadas em 6,46%. Elas alegam que, congelada, a tabela da Receita Federal está retirando dos trabalhadores os ganhos salariais conquistados no ano passado.

Na semana passada, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que a tendência era uma correção de 4,5%, e Mantega negou que houvesse estudos a respeito, mas a própria presidente Dilma Rousseff confirmou a possibilidade.

Não foi só Mantega que mudou de posição. Paulinho admitiu que, para garantir um mínimo maior, aceitaria antecipar parte do reajuste programado para 2012. "Nós, da Força Sindical, toparíamos fazer um acordo para os dois anos (2011 e 2012)", disse. "Poderia ser uma parte de antecipação, mas tem de ter aumento real".

No final do ano passado, o governo havia sugerido essa fórmula, mas as centrais se colocaram contra. Na época, Paulinho ironizou a proposta. "Isso parece um pouco Casas Bahia, essa coisa de parcelar".

Nos bastidores, o governo já admite que o mínimo deverá ficar em R$ 550 e a tabela será corrigida em 4,5%. Essas decisões, porém, não serão tomadas agora. Elas irão à mesa de negociação conforme o tema evoluir no Congresso Nacional.

Mantega e Carvalho iniciaram ontem conversas prévias à reunião do governo com centrais sindicais marcada para sexta-feira (4), em São Paulo. Os ministros fizeram um apelo para que os representantes dos trabalhadores aceitem o mínimo de R$ 545.

Paulinho contou que, durante o encontro, Mantega brincou: "Ele disse que, com o contingenciamento, a única coisa que pode dar, ultimamente, é bala." O ministro sempre tem consigo as guloseimas.







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